Quando o cuidado vai além da escuta: a presença transformadora da Psicologia no acolhimento institucional
Há mais de 60 anos, o dia 27 de agosto marca o reconhecimento das contribuições da Psicologia como ciência e profissão, valorizando seu papel na promoção do bem-estar, no fortalecimento dos vínculos humanos e na compreensão dos aspectos biopsicossociais da nossa sociedade.
Dentre os muitos campos de atuação, a Psicologia tem presença fundamental nas Unidades de Acolhimento Institucional de crianças e adolescentes, locais onde, mais do que abrigo, é necessário reconstruir histórias, afetos e sentidos.
Na Associação Irmão Sol, os profissionais da Psicologia têm uma missão delicada e essencial: estabelecer vínculos de confiança com crianças, adolescentes e seus familiares, apoiando-os na superação das violações de direitos vividas. Ao mesmo tempo, são esses profissionais que ajudam a sustentar a crença de que toda pessoa, em qualquer fase da vida, carrega em si potência para recomeçar, sonhar, projetar e realizar um novo futuro.
Nesta data especial, convidamos a psicóloga Berenice Moreira dos Reis, que atua nas áreas de Psicologia Clínica e Hospitalar, com enfoque em Neuropsicologia e Psicanálise.
Berenice é voluntária na Associação Irmão Sol, oferecendo atendimento psicológico às crianças acolhidas.
E com isso, realizamos uma breve entrevista para esta matéria especial, trazendo sua visão sensível e comprometida sobre o papel da Psicologia no acolhimento institucional:
E com isso, realizamos uma breve entrevista para esta matéria especial, trazendo sua visão sensível e comprometida sobre o papel da Psicologia no acolhimento institucional:
Que mensagem você deixaria para outros profissionais da Psicologia sobre o valor do voluntariado e da presença afetiva?
“O voluntariado é uma troca em dar e receber, promovendo crescimento pessoal e novas perspectivas de vida. Fortalece laços sociais promovendo um mundo mais justo, acreditando que a soma de pequenas ações pode gerar grandes mudanças. É servir com amor, empatia e propósito.”
O que te motivou a oferecer atendimento voluntário às crianças acolhidas pela associação?
“Conheci o trabalho da associação através do coordenador Alexandre e, ao perceber a vulnerabilidade e a solidão dessas crianças, senti a necessidade de oferecer acolhimento nos parâmetros da psicologia.”
Como você enxerga a importância da atuação clínica no contexto do acolhimento?
“A atuação clínica possibilita a pessoa a apresentar suas dores, angústias e fragilidades. É importante saber ouvir, e dentro desse contexto, reconhecer a singularidade de cada pessoa, proporcionando a ela confiança, respeito e melhoria na qualidade de vida.”
Quais são os principais desafios de trabalhar com esse público específico?
“Os principais desafios estão voltados ao lidar com situações em que a ajuda parece insuficiente ou limitada pelo sistema, impedindo uma atuação sistêmica perante o caso.”
Você percebe mudanças significativas no comportamento ou no emocional das crianças ao longo do acompanhamento?
“As crianças, no processo terapêutico, se sentem vistas, ouvidas e valorizadas. Devido a essa questão, o avanço deste processo traz mudanças significativas.”
Como a escuta qualificada pode ajudar uma criança a reconstruir vínculos e superar traumas?
“Através do acolhimento, escutando além das palavras, percebendo gestos, silências e emoções. Mediante esse contexto, favorece ao profissional uma atuação mais assertiva.”
Como essa experiência voluntária impacta a sua trajetória como psicóloga?
“Me possibilita entender o propósito para ajudar de maneira genuína para um mundo mais humanizado e justo.”
O que você aprendeu ou tem aprendido com essas crianças?
“Essa experiência me faz ampliar o olhar para um mundo vulnerável, onde as pessoas em violação de direitos necessitam de maior proteção e cuidado.”
Neste Dia do Psicólogo, a Associação Irmão Sol parabeniza todas e todos os profissionais da Psicologia que, com ética, sensibilidade e compromisso social, dedicam seus esforços à construção de uma sociedade mais justa e acolhedora, especialmente no cuidado com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A vocês, nossa mais profunda gratidão por escutar com o coração e por fazer da profissão um instrumento de transformação.
Redigido por: Alexandre Alves – coordenador da casa de acolhimento Casa dos Pequenos