Aniversário de morte do Frei Mariano
Em 2025, a Associação Irmão Sol completa 10 anos de perda da pessoa que criou este projeto tão maravilhoso: alguém que dedicou toda a sua vida a ajudar o próximo, o significado de fraternidade, um verdadeiro pai dos pobres, das crianças e dos adolescentes.
Estamos falando de Frei Mariano, nascido e criado em Den Haag (Haia), na Holanda. Educado desde pequeno na fé católica, cresceu com o desejo de se tornar padre. Durante a adolescência, em meio aos horrores da guerra, precisou interromper os estudos para salvar seu pai, que havia sido capturado pelo exército inimigo. Como forma de resgate, Frei Mariano se alistou no exército holandês com um plano corajoso: ser feito prisioneiro no lugar de seu pai. Ele permaneceu preso por seis semanas.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, pôde retomar seus estudos religiosos. Foi ordenado Frade Menor em 1950 e, três anos depois, recebeu a missão de atuar em terras estrangeiras, seu destino: o Brasil. Começou no Rio de Janeiro, e com o tempo foi enviado para várias cidades do interior de Minas Gerais, como Teófilo Otoni (onde aprendeu português), Divinópolis, Salinas e Ubá. Em todas essas cidades, Frei Mariano se destacou por estar atento às necessidades do povo e por sempre buscar maneiras práticas de ajudar.
Em 1971, retornou ao Rio de Janeiro. Movido pela compaixão e pelo desejo de transformar realidades, começou a acolher crianças e adolescentes das favelas de Cascadura, nos fundos paroquiais. O projeto, que contava com o apoio da FUNABEM, funcionava bem até que, em 1978, sofreu um atentado cometido por um dos acolhidos, envolvido com o crime. Frei Mariano ficou hospitalizado por vários dias e, após sua recuperação, foi transferido para Belo Horizonte.
Na nova cidade, caminhando pelas ruas, viu uma realidade parecida com a que presenciou no Rio: famílias vivendo em situação de rua, catadores de papel dormindo sob viadutos. Sensibilizado, começou a oferecer oficinas de marcenaria para profissionalizar os adultos e cuidados para as crianças, em uma casa localizada no bairro Copacabana. O projeto cresceu rapidamente, ganhando força e estrutura.
Em 1991, com o respaldo do recém-instituído Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nasceu oficialmente a Associação Irmão Sol, fruto de uma vida inteira de dedicação, coragem e amor ao próximo.
Homenagem escrita por Frei Oton (ofm):
Em silêncio, em oração, Frei Mariano acolheu como uma ordem a mensagem de Jesus: “Deixai vir a mim as criancinhas” (Mt 19,14). A partir daí, se pôs a reconstruir os templos de Deus deixados à margem do caminho.
Frei Mariano foi instrumento de esperança, mas não esperou sentado; se pôs a caminho, como o Santo de Assis, a reconstruir o que estava em ruínas. Reconstruiu muitos templos de carne e osso, fez renascer sorrisos contra toda dureza. Semeou a paz, acreditou no bem.
De sorriso discreto, ao longo de sua vida, seus braços longos acolheram inúmeras crianças e adolescentes, não só na Associação Irmão Sol, mas em diversos lugares por onde passou. Seu olhar bondoso, por vezes ingênuo, só sabia ver a bondade em cada pessoa, sobretudo nas mais pequeninas.
Podemos lembrar da recomendação que São Francisco fazia aos frades: “Os irmãos devem alegrar-se quando conviverem entre pessoas insignificantes e desprezadas, entre os pobres, fracos, enfermos, leprosos e os que mendigam pela rua. E quando for necessário, vão pedir esmolas. E não se envergonhem, mas antes se recordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo e onipotente, (…) e da bem-aventurada Virgem, sua mãe, e seus discípulos” (RnB IX, 2-5).
O exemplo de Frei Mariano continua a nos inspirar. Ao comemorarmos dez anos de sua partida, mantemos viva sua memória e seu sonho: ver as pessoas felizes, acolhidas, numa verdadeira família de irmãos e irmãs.
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente pelas nossas irmãs crianças e adolescentes, que de Ti, Altíssimo, são a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor, pela vida, pelo sonho e pelo exemplo de Frei Mariano. Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças e servi-o com grande humildade.










